domingo, outubro 15, 2017

Presidente da Assembleia Municipal de Sussundenga indiciado no desvio de 2 milhões MT

O Presidente da Assembleia Municipal de Sussundenga, em Manica, está detido desde a última sexta-feira, indiciado de envolvimento no roubo de cerca de dois milhões de meticais dos cofres da edilidade local.
A informação foi avançada pelo Procurador-Chefe daquele distrito, o qual esclareceu que tal medida visa investigar o seu envolvimento no crime.
O caso foi despoletado já há alguns meses e foi denunciado pelo Presidente do Conselho Municipal de Sussundenga.
Enquanto se compõem as peças do crime de desvio dos cerca de dois milhões de meticais, a procuradoria com aval do tribunal decidiu deter Jacob Muiambo, para mais investigações.
“Encontramos algumas evidências. Porque o indiciado em liberdade poderia perturbar a instrução do processo. Optamos por promover sua detenção, acto que teve a colaboração do tribunal judicial”, disse o procurador Remigí Guiamba.
Guiamba disse por outro lado, que em paralelo decorre uma auditoria ao nível do Conselho Municipal de Sussundenga, a qual está na sua fase conclusiva, além de outras acções visando a recuperação dos bens adquiridos com o valor roubado.
A Procuradoria não avança com outros nomes envolvidos no caso, mas diz que além do Presidente da Assembleia Municipal, outros dois arguidos, por sinal funcionários do Conselho Municipal afectos à vereação de finanças, também estão a ser ouvidos.

Fonte: O País – 13.10.2017

quarta-feira, outubro 11, 2017

O inimigo e a intriga, calúnia e boato

O inimigo não é capaz de abandonar a arrogância, o culto da intriga, da calúnia e do boato. (Samora Machel)

As palavras têm poder. Quando são bem empregadas elas podem edificar, encorajar, trazer paz, esperança e salvação. Mas quando são mal utilizadas, seu efeito é catastrófico, como o fogo destruidor (Tiago 3:6). Que efeito têm os boatos? Eles podem destruir amizades e afinidades. A Bíblia diz em Êxodo 23:1: “Não levantarás falso boato, e não pactuarás com o ímpio, para seres testemunha injusta.”
Conforme descrito em Provérbios, os mexericos são tão prejudiciais e duradouros como ferimentos físicos: “Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo” (Provérbios 25:18). Os boatos são uma perda de tempo precioso. Pessoas ocupadas e dedicadas em cumprir fielmente o seu dever não encontrarão tempo nem se intrometerão nas questões alheias: “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes intrometendo-se na vida alheia; a esses tais, porém, ordenamos e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu próprio pão” (2 Tessalonicenses 3:11-12).
Os boatos arruínam amizades: “O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos” (Provérbios 16:28). Os boatos baseiam-se em rumores: “O que anda mexericando revela segredos; mas o fiel de espírito encobre o negócio” (Provérbios 11:13). O mexeriqueiro é aquele que sai difamando ou fazendo fofoca, como o querubim caído em Ezequiel 28:16. O “fiel de espírito” refere-se à pessoa que é confiável. O cristão deve ser íntegro, honesto, justo e de confiança. Ele deve saber dominar a própria língua e usá-la para edificar, ensinar a verdade, encorajar no caminho do bem e advertir em amor e bondade.

In Bíblia (11.10.2017)

sábado, outubro 07, 2017

Editorial: Pura covardia

A intolerância política no país continua a ganhar proporções alarmantes sob olhar indiferente das autoridades que têm o dever de colocar cobro nessa situação. A título de exemplo, o assassinato do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Mahumudo Amurane, representa o cúmulo da violação de liberdade de expressão e política. Amurane foi ironicamente assassinado no “Dia da Paz” em Moçambique, na sua residência particular no bairro de Namutequeliua, por um indivíduo desconhecido que disparou três tiros à queima roupa.
O assassinato do edil de Nampula representa uma enorme tragédia não só para os munícipes de Nampula, mas também para o resto do país. Amurane não era apenas um edil, mas um homem comprometido com o seu povo e a sua cidade. Amurane mostrou que é possível estar no poder para servir o povo e não aos seus interesses pessoais, como temos vindo a assistir no país. Em menos de quatro anos, ele fez de Nampula uma cidade aprazível. Transformou os espaços da urbe e devolveu a dignidade aos munícipes.
O brioso trabalho de Amurane, certamente, causou inveja a um bando de incompetentes que olha para o Estado como se de uma vaca leiteira se tratasse. Num país governado por abustres, Amurane foi assassinado por ser uma pessoa idónea, íntegra e incorruptível.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Assassinio do grupo x

Moçambique é um país pobre, disso compreende-se. Mas será que não é possível investir em polícia capaz de apanhar os assassinos e levá-los à barra da justiça?
Eu não creio que seja difícil, mas que em Moçambique temos um problema sério. Falando somente da província de Nampula sobre quantos assassínios que se podem atribuir a esquadrões da morte já vimos reportados desde 2014
Eu lembro-me e reagi sobre o caso de Murrupula, em 2014, que até os corpos foram exumados mas que até aqui os autores nunca ao tribunal. O caso foi atribuido à PRM, mas nunca houve consequência.
Em Outubro de 2016, em Ribáuè, dois cidadãos foram mortos a queima roupa por indivíduos que se transporavam numa viatura da marca Toyota Hilux. Até aqui nunca me informei se eles foram ou não detidos.
No final do ano de 2016, em plena cidade de Nampula, o cidadão José Naitele foi morto a queima roupa, atingido por mais de dez balas y os atores do crime são até agora desconhecidos. 
Agora, o dia 4 de Outubro, em plena cidade de Nampula, é assassinado o Presidente do Município do mesmo nome. Já lá vão mais de 48 horas e não se fala de nenhum autor concreto. Sobre o assassinado de Amurane muitas  especulações para aproveitamento da sua morte do seu sangue para fins inconfessos que exigência às autoridades para apanhar os autores do crime e puní-los. Ouso dizer que se neutralizassem os primeiros, ter-se-ia poupado a vida de Mahamudo Amurane. O mesmo digo quanto aos assassinos de Amurane que se forem apanhados e condenados se pouparão vidas de muitos outros.


­Nota: Já há bons familiares e amigos que me aconselham deixar de me dedicar sobre assuntos desta natureza porque já temem das acções dos bandidos à solta.

quinta-feira, outubro 05, 2017

Assaltantes com vestes islâmicas atacam cidade moçambicana

Fontes locais dizem que atacantes roubaram armas e tentam controlar a vida de Mocimboa da Praia

Um grupo de pessoas com vestes islâmicas atacou um comando da Polícia, matou três agentes a tiros e assumiu o controlo na madrugada desta quinta-feira, 5, de Mocimboa da Praia, uma vila satélite de Pemba, a capital da provincia moçambicana de Cabo Delegado.
Pelo menos foram contabilizados até agora cinco mortos, sendo três policias e dois atacantes, e dezenas de feridos.
A VOA apurou junto de fontes locais que um dos atacantes foi capturado.
O grupo com armas de fogo e vários materiais contundentes atacou o comando da Força de Proteção dos Recursos Naturais, ligada à Polícia, roubou armamento e, em simultâneo, invadiu a vila, que já controla.

Manuel de Araújo considera que a paz foi assassinada

De Araújo diz não ter dúvidas de que responsáveis pelo assassinato de Amurane pretendem amedrontar o sonho de um povo
O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, considera que a morte do seu homólogo de Nampula um duro golpe à liberdade e democracia. “Não mataram só Amurane, mataram o 04 de Outubro! Mataram a Paz! Mataram a esperança de um povo! Mas dos escombros desta paz assassinada, nascerá a esperança de um país verdadeiramente livre, onde não se baleia a perna de um compatriota ou se mata a concidadãos por pensarem de forma diferente”, disse numa publicação na sua conta do Facebook.
De Araújo diz ainda não ter dúvidas de que os autores do crime pretende estremecer os sonhos dos moçambicanos. “Não tenho dúvidas sobre a natureza nem sobre as motivações dos assassinos, que em pleno dia da paz, atiraram sem hesitação na pomba da paz, para de uma forma clara e inequívoca amedrontar o sonho de um povo”.

MDM apela justiça no assassinato de Amurane

“MDM repudia fortemente este acto de brutalidade e agressão gratuita”
A Comissão Política do MDM, alargada a outros quadros, esteve reunida de urgência, na manhã de hoje, na cidade da Beira, para analisar o assassinato de Mahamudo Amurane. No final, o presidente do partido, Daviz Simango, leu um comunicado no qual apela às autoridades de justiça para clarificar o crime.
“Estamos perante um acto criminal de natureza pública de todas formas condenável. O MDM repudia fortemente este acto de brutalidade, agressão gratuita e covardia”, disse Daviz Simango.
O MDM exortou ainda a polícia a tomar medidas necessárias no sentido de neutralizar os autores do crime.
Circulam nas redes sociais informações apontando o MDM como mandante do crime, dada as desavenças entre a vítima e a liderança do partido. Sobre o assunto, Simango reagiu, dizendo: “Temos visto as redes sociais a fazerem a desinformação, deixemos que a justiça faça o seu trabalho”, reiterou.
Na ocasião, Daviz Simango solidarizou-se com a família enlutada.

Fonte: O País – 05.10.2017

Líder da Renamo defende que assassinato de Amarune não foi orquestrado pelo MDM

Dhlakama diz que assassinato tem motivações políticas
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, admite a hipótese de Mahamudo Amurare ter sido assassinado por motivações políticas, mas põe de lado a possibilidade de tal acto macabro ter sido orquestrado pelo MDM, e apela a polícia a encontrar os assassinos.
“Não quero aceitar que a motivação tenha saído do MDM. Daviz Simango não tem esquadrão da morte, ele não teria coragem de pedir o esquadrão para abater o seu membro”, disse Dhakama.
Para Dhlakama, eventuais acordos secretos políticos ou económicos, entre Amurane e supostos parceiros, que não foram cumpridos, podem ter ditado a morte do edil de Nampula.
Contudo, para Dhlakama, o mais importante neste momento é clarificar o crime.

Fonte: O País – 05.10.2017

quarta-feira, outubro 04, 2017

Mahamudo Amurane assassinado em Nampula

Mahamudo Amurane, edil da cidade moçambicana de Nampula, foi assassinado com três tiros.
Em Moçambique, o edil de Nampula foi assassinado. Mahamudo Amurane foi baleado esta tarde (04.10.) com três tiros. E não resistiu aos ferimentos, de acordo com a directora clínica do Hospital Central de Nampula.
Segundo o correspondente da DW em Nampula, para já, desconhecem-se os autores do ataque. A polícia diz estar a investigar o caso. Não é claro como o autor dos disparos se pôs em fuga, nem são conhecidas eventuais motivações do crime.
Mahamudo Amurane foi orginalmente eleito pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), mas, nos últimos anos, afastou-se gradualmente do partido. Em agosto último Amurane admitiu deixar o partido e concorrer à presidência do município de Nampula nas eleições do próximo ano encabeçando outro projeto político.
Entretanto, Lutero Simango, líder da bancada parlamentar do MDM, segundo maior partido da oposição moçambicana, disse à agência de notícias Lusa que o crime representa "um grande choque" e apelou às autoridades para que descubram o que se passou. 
"O que está a acontecer em Moçambique, hoje, é que o crime está cada vez mais a controlar o Estado e isso é mau para a democracia e para tudo", concluiu. 

Fonte: Deutsche Welle – 04.10.2017

terça-feira, outubro 03, 2017

Os seis

Por Elisio Macamo

Num país normal devia ser normal posicionar-se criticamente sem ter de pedir desculpas a ninguém. O nosso país, infelizmente, não é normal. Há uma resistência à crítica que filtra o que se diz da pior maneira possível. Se você é da Frelimo e o seu partido é criticado, você faz da pessoa que critica o verdadeiro problema e chama-o de invejoso. Se você não é da Frelimo e os outros são criticados, você faz da pessoa que critica o verdadeiro problema e chama-o de lambe-botas e intelectual a soldo da Frelimo. Cansa, mas é o país que somos.
Nos últimos tempos tenho vindo a criticar algumas coisas na Frelimo e, em especial, na postura do seu chefe que tem sido tudo menos feliz e inspiradora de confiança no futuro. Não há nada de novo nessa minha postura. Mesmo o inimigo público número 1 do país, de quem me confessei fã, nunca escapou às minhas críticas. Sempre critiquei o seu discurso contra a pobreza; critiquei a prerrogativa que ele manteve de intervir nas universidades públicas que, no caso da UEM, levaram à reitoria dessa Universidade um indivíduo que foi destruir uma boa parte do que os seus predecessores tinham construído; sempre critiquei o esbanjamento de recursos públicos que as suas presidências abertas representaram e também critiquei a maneira como ele se propôs resolver o problema da instabilidade político-militar com amnistias que recompensaram o desprezo pela vida humana e pela constituição do Estado.

Moçambique: "FRELIMO precisa de outra estrutura partidária"

Em entrevista à DW, o sociólogo moçambicano Elísio Macamo diz que "faltou sensibilidade" ao partido ao convocar comício para segunda-feira (02.10), logo depois do XI Congresso.

Depois do XI Congresso da FRELIMO, em que participaram muitos funcionários públicos, o partido no poder em Moçambique convocou um comício popular para a segunda-feira (02.10) - ocupando assim mais um dia de trabalho. Paradoxalmente, durante o Congresso fez-se um apelo a uma maior produção para se acabar com a pobreza no país. Vários casos contraditórios aconteceram em paralelo ao evento. Para o sociólogo moçambicano Elisio Macamo, algumas dessas atitudes revelam falta de sensibilidade. A DW África conversou com ele sobre alguns casos constatados.

DW África: logo depois do término XI Congresso da FRELIMO, o partido convocou um comício para as 15 horas. Para um partido que quer produção para sair da pobreza, não será uma atitudade contraditória?

Elísio Macamo: Representa, se, de fato, as pessoas que forem participar nesse comício o façam dentro das suas horas de trabalho. É algo sobre o qual podemos apenas especular. Não sabemos se as pessoas que participaram no Congresso, e que são funcionários públicos, pediram licença ou férias para poderem estar fora do serviço a essa hora. Nessas condições, a gente pode criticar. Entretanto, para qualquer pessoa sensata é fácil depreender que, mesmo que não sejam todas as pessoas, uma boa parte dos que participaram no Congresso faltaram ao serviço, sim. Ler mais (Deutsche Welle, 02.10.2017)